Aloha!
Um dos discos que mais tenho escutado este ano é "I'm New Here", o novo trabalho de Gil Scott-Heron. O genial pai (a esta altura talvez avô fosse mais apropriado, rsrsrs) do RAP lançou, aos meros 61 anos de idade, um petardo, coisa séria, tipo dedo no olho e soco no estômago. A passagem dos anos e a vida complicada pelas drogas e pelas prisões parecem ter feito o autor de "The Revolution Will Not Be Televised" ainda melhor. Com uma produção moderna e na medida para a voz marcante do poeta, um barítono que emerge de cordas vocais calejadas, Gil fala de si mesmo com uma franqueza assustadora. É ao mesmo tempo curioso e um deleite ver que as dificuldades forjaram um homem tão crítico quanto esperançoso e que não tem nenhum problema em dividir conosco suas experiências e sua visão.
"I'm New Here" é um daqueles discos que aparecem de tempos em tempos e que eu não consigo parar de escutar durante algumas semanas. Outro dia fui dirigindo do Rio para Macaé, uma viagem de pouco mais de duas horas, ouvindo repetidamente o álbum, que tem cerca de meia-hora de duração. Algumas faixas me pegaram de tal forma que as escutei várias vezes seguidas antes de conseguir avançar e escutar a próxima. É impressionante o poder do cara.
Altamente recomendado para quem sabe inglês (entender o que ele fala/canta é fundamental), o disco recebeu ótimas criticas da imprensa especializada e começa a aparecer em listas de melhores lançamentos do ano. Inclusive na minha. Alguns clipes estão disponíveis no Youtube e escolhi dois para ilustrarem este post: "Where Did The Night Go" e uma homenagem ao mestre Robert Johnson, com uma versão Scott-Heroniana de "Me and The Devil Blues", aqui sem o "Blues". Este clipe é totalmente fantasmagórico, tenebroso mesmo. Sinistro no sentido literal da palavra.
Enjoy!
Sérgio
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domingo, 18 de abril de 2010
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